quinta-feira, 25 de maio de 2017

Entrevista com Mussa




O entrevistado do nosso blog é um artista completo. 
Simpático, talentoso e com uma voz encantadora...
Apresento a vocês o Mussa!

1 CC - Cantor, compositor, artista plástico, gosta de cozinhar... 
Conte pra nós quem é o Mussa.

Mussa - Eu sou atuante. Pra mim, tudo flui em música, movimento e cor. Quando eu pinto uma tela, gosto que as pinceladas apareçam, abuso do ritmo, gestual, cores que vibram em harmonia, contra-ponto etc. Quando escrevo uma música, gosto de pintar imagens na mente de quem vai ouvir. Imagino que as palavras são tinta. Quando estou na cozinha, eu nunca provo a comida, nem cozinho por receita. Faço tudo intuitivamente e vou misturando as cores e texturas. Tudo é uma coisa só: pintar, cozinhar, compor.

Quanto ao cantor que você mencionou, eu não me considero um bom intérprete. Gosto de imaginar que sou apenas um contador das histórias que escrevo. A histórias são mais importantes. Ou seja, a composição tá na frente do canto. 

2 CC - Como foi que o samba entrou na sua vida?

 Mussa- Foi meio sem querer. Quando era pequeno, não se escutava muita música na minha casa. Não era um hábito da minha família por parte de mãe, com a qual eu fui criado. A música que chegava, vinha pela TV, em programas como o Cassino do Chacrinha ou Som Brasil. Também não ouvíamos rádio. Tinha uma vitrola grande da década de 60 na sala que servia de aparador. Eu só fui me utilizar deste aparelho, quando cheguei na adolescência, consertei a agulha do toca-discos e comecei a comprar meus próprios LPs. Até então, eu só conhecia a capa dos discos da minha mãe e pirava nas artes do Elifas Andreato. Eu conheci a imagem, antes do som.

Aos quinze, resolvi que iria tocar bateria e arrumei um emprego de carteira assinada numa grande rede de lanchonetes. Economizei durante um ano para comprar o instrumento. Toquei dos quinze aos vinte anos, mas vendi a bateria quando entrei pra faculdade para comprar os livros e material que o curso pedia. Neste período, eu trabalhava de office boy numa gravadora para ajudar a pagar os estudos e sempre encontrava outro contínuo do trabalho num pagode da Rua da Quitanda, no centro da cidade. Ele me oferecia o pandeiro e dizia "você não é baterista?" Eu sempre me esquivava, mas gostava de vê-lo tocar. 

E assim, fui aprendendo o repertório e alguns instrumentos. Mas o samba que mudou minha vida, era organizado por Marquinhos de Oswaldo Cruz, Renatinho Partideiro, Ivan Milanez e outros bambas. Rolava na Lapa, muito antes de se falar em revitalização. Estes sambistas fizeram história ali, sustentando uma roda de samba todas as sextas-feiras embaixo dos arcos, fizesse chuva ou sol. 

Desta roda de samba, saiu o primeiro vagão do dia 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba. Neste pagode, eu vi Zé Keti, Deni de Lima, Beth Carvalho e tantos bambas. Ali, fiz muitas amizades e comecei a ser chamado pra frequentar muitos outros pagodes no subúrbio. Detalhe: antigamente a palavra "pagode" dizia respeito a uma reunião de sambistas e não ao estilo musical que conhecemos atualmente. Era quase uma maçonaria. Não tinha esse movimento que arrasta centenas, ou até milhares de pessoas em vários eventos espalhados pelo Rio de Janeiro. 

CC -Quais músicas são provocativas, inteligentes. Quais as suas inspirações na hora de compor? Tem um horário preferido para compor?

Mussa -Puxa.... Obrigado. Tudo me inspira a compor. A toda hora e a todo momento. Eu gostava muito de compor no trânsito, dirigindo, mas hoje em dia abdiquei do carro. Gosto de compor na praia também. Mas não tenho um momento especial. Tem vezes que eu procuro a música e tem horas que ela me procura e a gente sempre tá disponível um pro outro. É o nosso trato. rs

4 CC -Entre as suas composições, qual a favorita?
 Mussa-  A última. Sempre a última. rs A última canção sempre é a mais querida até a próxima pintar. 

5 CC -Quais são as maiores dificuldades de ser cantor em um país que não valoriza a cultura?

 Mussa - Espaço na mídia é a primeira coisa. Sabemos que artistas que não tem dinheiro, não tocam nas rádios e nem aparecem nos programas por conta do famoso "jabá" (dinheiro que se paga para aparecer na TV ou nas rádios). E muito menos, conseguem espaço nas grandes publicações de mídia impressa, pois não tem dinheiro pra pagar assessoria de imprensa. Sobra apenas a internet como meio de divulgação. E aí, é esperar que o seu trabalho viralize de alguma forma. Por isso, que este espaço aqui é muito importante para o músico independente. Mais uma vez, muito obrigado. 

6 CC - Paulista criado no Rio de Janeiro. Qual é seu lugar preferido na cidade maravilhosa?

Mussa -Costumo dizer, que eu sou neto de uma baiana, criado no Rio mas com alma cigana. Vim pro Rio com sete meses de nascido. Já morei em onze bairros do Rio de Janeiro: na zona sul, zona norte, baixada fluminense e zona oeste. 

Cada lugar tem sua peculiaridade. Gostei de todos os lugares onde morei. Mas Copacabana, onde moro atualmente, é um lugar especial. Já é a quinta vez que moro por aqui, sempre volto pra este lugar. Gosto de Copa, porque ela tem um pouco de subúrbio, com seu comércio frenético, camelôs na rua e suas placas de "compro ouro" e muito de cartão postal. Enfim, Copa é caótica, como o Rio de Janeiro, como o Brasil. Tô quase terminando uma música em homenagem ao bairro. 

7 CC -Sua voz é encantadora.Tem uma mistura do Jorge Aragão, Tim maia e, ao mesmo tempo, uma identidade vocal muito sua. Quais as suas principais influencias na música? 

Mussa -Mais uma vez, obrigado. 

Além desses dois que você citou, Martinho da Vila, Jackson da Pandeiro, Zeca Pagodinho, Seu Jorge, O Rappa, João Nogueira, Aniceto do Império, Clementina, Roberto Ribeiro, Chico Science, Mestre Ambrósio, Cordel do Fogo Encantado, Bob Marley, Stromae, Salif Keita, Rokya Traoré, Bonga, Gonzagão e Gonzaguinha, Tom Zé, Caetano, Gil, Chico, João Bosco e Aldir Blanc, Tom e Vinícius, Jorge Benjor, Dorival Caymmi, Mestre Darcy do Jongo, João Gilberto, Clara Nunes, Elis, Cartola, Paulinho da Viola, Candeia, Led Zeppelin, Paco de Lucia, Imbraim Ferrer, música cigana, fado, flamenco, alguma coisa de funk e por aí vai. Escuto de tudo, mas não tudo. Só existem dois gêneros de música: a boa e a ruim. O que é bom pros meus ouvidos eu ouço e o que é ruim eu escuto. Acho que eu sou influenciado até pelo o que eu não gosto, pois de alguma forma é um caminho a não seguir que já te joga em outra direção. 

8 CC -Em 2009 você lançou seu primeiro CD; em 2013 o segundo. Conte um pouco da sua trajetória.

Mussa - Meu avô paterno era crooner de uma orquestra de jazz e tinha uma gráfica. Gravou um LP. Meu pai também era guitarrista, mas quando o meu avô sofreu um derrame, ele (meu pai) foi trabalhar direto na gráfica e acabou largando a música profissionalmente. Isso foi logo depois que eu nasci. Apesar de não ter sido criado pelo meu pai que vivia em SP e eu no Rio, o gérmen da música já estava em mim, acredito. Aos quinze comecei a tocar e compus minha primeira canção. Quando completei 19 eu tinha que escolher uma faculdade. Eu queria Belas Artes ou Música, mas por uma certa pressão da minha mãe, que não vislumbrava uma carreira artística pra mim, acabei cursando Desenho Industrial. 

Depois de formado, fui trabalhar em propaganda, onde fiquei por vinte anos ou mais. E levava a carreira de publicitário junto com a de artista plástico. Fiz algumas exposições importantes, individuais e coletivas. Sempre que podia, ía pros sambas, que era uma maneira de não abandonar a música e esporadicamente ía fazendo umas canções e jogando na gaveta. 

Em 2009 conheci um parceiro, Leandro Junnhyor, que topou gravar um CD comigo, que continha algumas destas músicas, entitulado Na Correnteza. Daí, a música me chamou com toda a força e eu pedi demissão do departamento de propaganda de uma grande rede de TV onde eu trabalhava há quase oito anos. Joguei tudo pro alto.

Dois anos depois, entre 2011 e 2013 gravei o álbum NAIF que já apontava para este caminho de mistura com o eletrônico, mpb, hip hop e outras influências. Agora, acabei de gravar o Mussa Samba Combo, meu mais novo trabalho. Em breve, farei um show de lançamento e uma exposição com telas com as temáticas das músicas do CD. Mas o álbum já está em todas as plataformas digitais: Deezer, Spotify, Youtube etc.
 
9 CC - Seu novo trabalho Mussa Samba Combo é uma deliciosa mistura. Achei criativo, não parei de ouvir. Como foi esse processo?

Mussa-Eu e o meu produtor musical, João Callado, começamos a produzir as bases pra este trabalho há um ano e meio atrás, em cima de algumas canções que eu selecionei. A primeira ideia, era fazer um show com músicas inéditas em cima dessas bases eletrônicas. 

Acabei mudando de ideia e quando estávamos com as nove bases prontas, chamamos os músicos que tinham a ver com o trabalho e acabamos gravando. Toda a concepção se estabeleceu nestas bases, elas foram o esqueleto das canções. Tudo partiu delas. O processo durou cerca de um ano e meio. Tudo era discutido, curtido, elaborado com muito cuidado e parcimônia. (Tive que administrar minha ansiedade). Minha mulher que viu muitas das músicas nascendo neste processo, também opinou bastante sobre os arranjos, coro e outras ideias. Enfim, foi um trabalho construído com muitas mãos. 

10 CC - Pra finalizar: Qual a sua música favorita?

Mussa - Eu não consigo ter uma música favorita. Mas posso dizer que as músicas dolentes me conquistam. Eu gosto muito de compor em tom menor, que para alguns traz uma sensação de tristeza. Mas não acho que as minhas músicas sejam tristes. Teve uma fase que eu escutava Insensatez do Tom insistentemente, Madrugada do Zé Keti, Refén da Solidão, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, Samba e Amor do Chico e por aí vai. É tanta coisa linda que já foi feita que eu realmente não consigo escolher. Mas o que posso dizer é quando me apaixono por uma canção, eu ouço incansavelmente todas as versões que já foram gravadas. Comparo interpretações etc. 

Pra conhecer o trabalho do Mussa acesse; www.mussa.com.br
E se quiser curtir o cantor ao vivo, anote na agenda;

Onde: Solar de Botafogo
Rua General Polidoro, 180- Botafogo
Quando: 16/07/2017
Horário: 20:00
Valor: R$ 60 ( Inteira )
            R$ 30 ( Meia)
* Amigo solidário, levando 1 kg de alimento não perecível paga R$30

quarta-feira, 3 de maio de 2017

XII Rio Harp Festival


"O XII RioHarpFestival fará da cidade, mais uma vez, a capital mundial da harpa. Durante um mês se apresentarão no CCBB grandes nomes da harpa mundial tocando vários gêneros que vão da música barroca aos ritmos modernos e contemporâneos como rock e heavy metal passando pelos clássicos europeus, samba, jazz, chorinho e ritmos latino-americanos."
Curadoria: Sérgio Costa e Silva.
Quando: De 01 a 31 de Maio de 20017
Onde: CCBB
Rua Primeiro de Março, 66- Centro
TeatroI
Valor: Grátis
Cotação: Excelente
Classificação: Livre
*Pegar senha na bilheteria 1 hora antes do evento.
Veja a programação completa no site: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/wp-content/uploads/2017/04/programa-maio-teatral.jpg

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Barco do Greenpeace- Raibow Warrior


"Nosso Guerreiro do Arco-Íris chega em águas cariocas no dia 27 de abril. Será uma grande oportunidade para conhecê-lo de perto. Ele ficará aberto para a visitação do público, enquanto permanece atracado no Píer Mauá, ao lado do Museu do Amanhã. Sua vinda tem dois motivos bem especiais:
- O primeiro deles é apoiar a campanha pela defesa dos Corais da Amazônia, que estão sob a ameaça de exploração de petróleo pela companhia francesa Total. Um vazamento de óleo pode ser mortal para a vida do recife, e o navio se juntará à resistência de 1 milhão de pessoas que já se posicionaram contra esse projeto absurdo.
- O segundo motivo é de muita alegria: celebrar os 25 anos de Greenpeace no Brasil. Em todos esses anos, o Rainbow Warrior navegou por águas brasileiras tanto na nossa costa quanto na Amazônia, se considerarmos também as duas versões anteriores do barco. A última foi também no Rio de Janeiro, durante a Rio+20, em junho de 2012.
Se você quiser vê-lo de pertinho, entrar na ponte de comando, conhecer nossa tripulação e saber das causas que defendemos, então não perca essa chance!"
Onde: Píer Mauá( próximo ao Museu do Amanhã)
Quando: 29 de Abril a 01 de Maio de 2017
Valor: Grátis
Classificação: Livre
Cotação: Bom

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Beira Rio- Viola Brasileira



Tá no centro e quer curtir uma boa música?
Então não perca essa dica!

"Instrumento com sonoridade peculiar, a viola está ligada às manifestaçõ es musicais, ritos e crenças de diferentes expressões brasileiras. Disseminada por jesuítas portugueses na colonização do Brasil, o instrumento adquiriu forma e identidade próprias. Para esse espetáculo, Fábio Neves apresentará sua leitura musical do instrumento, recebendo os convidados Julio Morgado e Ramon Araújo."

Quando: Quinta 27/04/2017
Onde: CCJF
Av Rio Branco, 241- centro
3261-2550
Sala de sessões
Horário: 18:00
Valor: R$20 ( inteira) R$10 ( meia)
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre
Cotação: Bom

terça-feira, 25 de abril de 2017

Cartas a Lumiére



"Vencedor do prêmio de arte digital The Lumen Prize na categoria ”Prêmio do Público” e de Melhor Filme Experimental pela Associação Alemã de Críticos de Cinema, o artista multimídia e cineasta Fabiano Mixo, carioca residente em Berlim, apresenta sua mais recente obra. “CARTAS A LUMIÈRE – A chegada do trem à estação” é uma videoinstalação imersiva que confronta as origens do cinema com novas tecnologias e espaços urbanos e virtuais, mesclando artes visuais, cinema e interatividade. Traça um paralelo entre as primeiras reações do público do Grand Café de Paris, em 1895, e a excitação contemporânea diante da Realidade Virtual. Conta com uma projeção panorâmica e uma paisagem sonora imersiva, bem como um óculos de Realidade Virtual, com o qual o visitante poderá assistir um filme em 360º, híbrido entre ficção e documentário, que recria o filme pioneiro dos irmãos Lumière para os trens e plataformas da Central do Brasil. Mixo trabalha com linguagens híbridas e novas tecnologias para recontextualizar a História a partir de perspectivas multiculturais, e nessa obra investiga os novos ambientes virtuais a partir de um olhar sobre trens e trabalhadores – as primeiras personagens do Cinema."

Curadoria: Alberto Saraiva
Quando: De 17 de Abril a 18 de Junho
Onde: Oi Futuro Flamengo
Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo- Nível 2
Horário: 11:00 as 20:00
Valor: Gátis
classificação etária: Livre
Cotação: Bom

sábado, 8 de abril de 2017

Programão Carioca




O evento começa às 15h e será gratuito, com distribuição de senhas para a peça e para o filme a partir das 16h. O Programão Carioca é uma iniciativa da Globo e apoio da Globo Filmes.
Às 15h, as crianças poderão participar da oficina ‘Meu Primeiro Livro’, com a historiadora, professora e escritora Elaine Marcelina. Elas irão escrever suas impressões de mundo, ilustrar suas histórias, e assim, produzir sua primeira publicação.
O grupo Bambo de Bambu se apresenta a partir das 16h com apresentação de samba, choro e maxixe, em um repertório que inclui grandes nomes como Pixinguinha, Assis Valente, Noel Rosa, Braguinha, Lamartine Babo, entre outros nomes da música regional carioca.
Por volta das 17h, haverá a exibição do filme ‘Minha Mãe é uma Peça 2’, dirigido por César Rodrigues e, encerrando o Programão Carioca, os atores Monique Alfradique, Emiliano D’Ávila e Marcos Nauer encenam a peça ‘Qualquer Gato Vira-lata’, que começa às 19h30."
Quando: Domingo 09/04/2017
Onde: Lona Cultural Elza Osborne
Estrada Rio do A, 220 Campo Grande
Valor: Grátis
Horário:  Das 15:00 as 19:30
15:00 Oficina Meu Primeiro Livro
16:00 Musical Bambo de bambu
17:00 Filme: Minha Mãe é uma peça 2
19:30 Peça: Qualquer Gato Viralata

terça-feira, 28 de março de 2017

Ser artista mulher no Brasil


Um grande debate com jovens artistas brasileiras marca o mês de março quando se comemora o dia internacional da mulher .
O debate vai abordar os desafios de ser artista mulher no país, quais são as qustões discutidas por essas mulheres e o mercado da arte no Brasil.
Será que ainda existem preconceitos e dificuldades de se produzir arte por conta do gênero?

Quando: Quinta 30/ 03/ 2017
Caixa Cultural- Sala Margareth Nascimento
Av Almirante Barroso, 25, centro
Horário:  18:00 as 20:00
Classificação etária:  16 anos
Valor: Grátis